Não adianta dizer que todo mundo foi feliz e satisfeito porque a maioria não tem a menor paciência com a cerimônia de colação de grau, mas a “prima coruja” fez questão de chegar cedo, o que arrancou algumas reclamações da maioria.
Cerimônia encerrada, minha tia inventa de chamar “a galera” pra casa dela, dizendo que tinha uns comes e bebes. Nada demais, apenas alguns salgadinhos e cervas. Não seria nada demais se os convidados não fossem a Helen, a Nina e o Bruno. Assim que chegaram, ainda envergonhados (menos a Nina, é claro), os Fenômenos adotaram a postura comportada, comendo pouco, bebendo civilizadamente e conversando baixo, e os outros integrantes da Família Buscapé também, mas foi só o casal de anfitriões se retirarem, a galera se transformou. Parecia mais um desenho animado dos “Transformers”.
O som, que era ambiente, passou a “gritar” música baiana e os Fenômenos começaram a imitar o Buscapé-Gotinha, conhecido por seus passinhos ridículos e por beber e nunca, nunca ficar bêbado. Enquanto isso, o Buscapé-Formando girava abraçado com uma garrafa de Ypioca Lemon, cantando que era Chicleteiro, mas o detalhe é que a música que tocava era da banda Babado Novo. O outro Buscapé, o Sem-Noção, dançava ao estilo trance até que ficou muito tonto e resolveu se sentar passando mal. Uma cena mais tosca que a outra, até que o Bruno, fumando um cigarro atrás do outro, começou a se segurar no portão da casa, pálido, tentando esboçar alguns gestos:
-Que foi, Bruno?
-Nina, a casa da sua tia está caindo!
- Hahahahaha
-Estou falando sério, pessoa.
- Hahahaahhaha
-Ai, acho que vou me deitar. Você não está me ajudando em nada, chata!
-Hahahahahaha Vai deitar que vou levar um pouco de sal para você. Sua pressão baixou.
E assim, o Bruno foi se deitar no quarto do Buscapé-Formando (que fica do lado de fora da casa), enquanto o resto da galera “desbundava” agora ao som de música eletrônica.
Para tentar “reanimar” o amigo quase falecido, fui até a cozinha buscar o saleiro, mas como não achei aquele de mesa, levei o pote inteiro de sal.
-Bruno, levanta e abre a boca!
-Ahhhhhhh
Plaft! Derramei todo o saleiro na cara do pobre, que só passou a mão na boca e voltou a dormir, mesmo com todo sal em volta.
Muitas brejas, Ypiocas e farmacinhas depois, pedi para a Helen me deixar em casa (o carro era do Bruno) porque já estava ficando com enxaqueca, e para não deixar minha amiga ir sozinha, chamei o Buscapé-Formando para nos acompanhar. E lá se foram os três embriagados, cantando sem sequer lembrar do pobre coitado, deitado, morto, na cama. O resto da galera continuou na festa.
Fiquei preocupada com os dois loucos, mas eles não quiseram dormir na minha casa e disseram que iam voltar pra festa. Já estava nos “braços de morpheu” quando meu celular toca. Olhei para ver quem era e quando vi que era o Bruno, meu coração disparou:
-Nina, onde a gente está?
-Ô Bruno, a gente é muita gente! Eu estou em casa! Cadê a Helen?
-Suas loucas! Vocês me deixaram na sua tia? Onde está meu carro?
- Ué, Bruno. A Helen me deixou em casa e disse que ia voltar pra festa.
-Vou procurar por aqui. Se ela não estiver aqui, você vai ter que voltar.
-Ai meu Deus!
-Ai meu Deus, mesmo! Se essa louca não estiver aqui eu vou matar vocês!
Eu desliguei já imaginando um monte de coisa, o carro batido numa árvore, os dois dentro de uma ambulância...enfim. Perdi totalmente o sono e já estava me preparando pra levantar, quando o Bruno me liga:
-Ô Falsa, achei as duas criaturas dormindo dentro do carro na rua mesmo.
-Ave Maria! Mas está tudo bem?
-Está sim! Só estão embriagados ainda, mas estão bem.
No outro dia fomos na casa do Bruno tentar aliviar nossa barra, mas a pessoa xingava a gente de tudo quanto é nome, e não queria nem ver as “falsas amigas”:
-Além de acordar na casa alheia, ainda tenho que agüentar a Helen, bêbada, tentar estacionar meu carro em uma garagem “minúscula”. Nunca mais!!!!





































